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Com o coração a saltar pela boca

Atualizado: Jan 3


O final do ano aproxima-se a passos largos, e apesar de tudo com que tivemos de lidar durante este ano, há algo que não foge à tradição: as resoluções de Ano Novo e os nervos em franja!!!


Todos os anos comemoramos a entrada do novo ano com grandes promessas de mudança, grandes planos, reformulações e convicções.


Mas, decorridos 364 dias, vemo-nos frequentemente entre a avaliação dos planos adiados, das vontades não sucedidas, e da promessa de que tudo será diferente, a juntar ao que o novo ano nos pode trazer.


Como se não bastasse, a par destas introspeções mais ou menos dolorosas, vêm as quebras de rotina, as celebrações festivas, as socializações nem sempre desejadas e as tarefas domésticas que nesta altura se multiplicam. São os mais novos de férias que requerem a nossa atenção, os preparativos para os dias festivos, as corridas entre amigos e familiares (e as suas críticas!)... e um sem número de afazeres e objetivos desajustados que nos obrigam a desdobrar para conseguirmos estar em todo o lado.


Assim, juntamente com a euforia do fim de ano, dos festejos de alegria, da excitação das prendas, os excessos dos convívios e a esperança ingénua no ano vindouro podem chegar alguns sentimentos incómodos relacionados com o cansaço e uma consciencialização ultra-crítica de falhanços e objetivos não alcançados, a descrença em conseguir mudar de rumo fundamentada na dificuldade em cumprir pequenos objetivos e superstições ou em manter a alegria aclamada pelos outros. Estes sentimentos podem ensombrar o momento e o sucesso do ano vindouro se não forem compreendidos e normalizados.


Muitas vezes traduzem-se por uma ansiedade que cresce, cresce e se multiplica. Outras, surge como um estado de irritação que não nos abandona, uma sensação de esforço insano não reconhecido, um cansaço que não passa, dores no corpo e indisposições variadas, uma sensação de desajuste... e uma enorme vontade de desistir. Ideias de vitimização, incompreensão e até mesmo culpa agravam ainda mais um estado que é perfeitamente normal quando levamos o corpo e mente até ao limite. É fácil cair na tentação de projetarmos o idílico cenário, a perfeição plena … como se não houvesse outra forma de sermos felizes ou realizados se o planeado não acontecesse.


Mas a “vida acontece”, e as nossas expetativas nem sempre têm o final desejado … e, para além da ansiedade, lá vem a tristeza e a culpa, a melancolia e a frustração. Um conflito entre as festividades idealizadas, a pressão imposta pela realidade virtual das redes sociais e a realidade com todas as suas limitações. Nem nesta altura do ano!!! Em que todos estão tão felizes, capazes e bonitos...e só nós falhamos...só nós não chegamos...Uma sensação de fracasso que mói e afasta...


Nem todos experienciamos estes estados da mesma maneira, ou da mesma intensidade, mas é possível que já tenha experienciado algo semelhante.


Porque, de facto, a expectativa é tão grande, a vontade de um Natal perfeito é tão intensa que é fácil construir castelos de cartas. Há mesmo quem fale do "blues das festas", um estado de tristeza que se segue à euforia e ansiedade da época festiva.


Por isso, não se assuste nem rejeite. É possível lidar com estes sentimentos, retomar o controlo, tirar proveito e ai sim, adquirir ferramentas para usar no novo ano...


Regressamos à introspeção!


Traga à consciência as expectativas que tem para esta época. Só assim poderá colocar em mente a diferença entre as expetativas e o que de facto consegue realizar, o que deseja e o que consegue executar, o que depende da sua vontade e o que depende do seu poder de adaptação. Tenha em atenção a sua realidade e as suas prioridades. Há coisas que despendem muita energia e não são assim tão importantes, e outras que são extremamente compensadoras e fáceis de executar. Por exemplo, será que vale a pena passarmos horas em filas enormes para comprar prendas, irritarmo-nos por tudo e por nada, passar os dias aos gritos, decorar a casa impecavelmente e depois não ter tempo para brincar e desfrutar os momentos em família?


Importa também trazer à consciência os sentimentos que algumas destas expectativas, lembranças ou rituais próprios desta época despertam em si. Muitos dos sentimentos negativos resultam de experiências anteriores mal resolvidas, da auto-crítica e da culpa que nos atribuímos. Ao consciencializarmo-nos deles podemos agir sobre eles de uma forma construtiva.


Aprender a reconhecer e a lidar com as emoções é fundamental. Não chega vivê-las, é preciso identificá-las e geri-las. Saber o porquê de uma determinada situação nos deixar mais prostrados, ou porque andamos mais irritados, é determinante para que estes estados não tomem conta de nós criando mais dificuldades e stresses.


Por fim, aceite a imperfeição, o inesperado, a polarização das emoções. Momentos de tristeza fazem parte da vida sem que isso ponha em causa a nossa existência. É normal sentirmos tristeza por as festas chegarem ao fim, por sentirmos falta de um ente querido ou não termos tempo para fazer tudo como desejaram. A insatisfação constante faz parte da natureza humana e é mesmo considerado por muitos o principal motor para a evolução. Mas isso desde que não nos fiquemos pelo problema e nos foquemos na ampla gama de soluções que ele nos proporciona.


Viver o presente, tal como ele nos surge é uma boa forma de aproveitarmos a vida. A verdade é que não controlamos o tempo nem muitas outras variáveis da nossa vida mas controlamos a maneira como as interpretamos e agimos sobre elas.


Lá diz o ditado “se a vida te dá limões, faz limonada”. Em vez de ficar bloqueado em expectativas e sentimentos de insucesso, foque a sua atenção naquilo que consegue realmente alcançar e lhe é realmente importante. Não se recrimine pelo que não tem ou não conseguiu. Encare cada momento, como uma possibilidade e permita-se a vivê-la da forma mais proveitosa possível.


E se o seu estado ânimo neste momento não lhe permite encontrar soluções não se culpe pois há momentos assim. Procure relaxar, fazer um pouco de exercício físico e voltar ao controlo.


Quando se sentir mais ansioso, irritado, ou assoberbado, com vontade de chorar, não reprima. Dê espaço, identifique e procure soluções. É o seu corpo a dizer-lhe que precisa de um momento de auto-conforto e compaixão.


Seja generoso consigo e aceite-se com ser humano que é. Dedique algum tempo a cuidar de si. Uma boa e simples dica para diminuir a ansiedade e a tristeza é fazer, diariamente, algo que lhe dê prazer ou alegria: por exemplo ouvir música, ler um livro, caminhar, meditar, assistir a um filme, praticar uma atividade física, cozinhar, fazer um jogo…


Lembre-se também, de tudo o que já viveu e ultrapassou, que já conseguiu chegar até aqui, e não perdeu a capacidade de fazer o que é melhor para si. Reconheça-se como resiliente e capaz. Dê valor a si próprio pelo seu caminho e experiências vividas.


E se mesmo assim esses sentimentos persistirem peça ajuda. Muitas vezes falar sobre os problemas e preocupações ajuda a coloca-los em perspetiva e a visualizar soluções que de outra forma seria difícil. A verdade é que não está sozinho e estes sentimentos são bem mais comuns do que pode imaginar. O que difere é a forma como cada um os encara. Partilhar perspectivas e experiências ajuda.


E quanto às resoluções de Ano Novo utilize as mesmas estratégias. Seja realista e eleja objetivos tangíveis e que estejam dependentes de si para que os possa executar com sucesso e satisfação.

E não tem mal se a meio do caminho mudar de ideias e de resoluções. O ser humano é assim mesmo, criativo e adaptável!


Bom Ano!


Alexandra Babo, Psicóloga, Núcleo de Psicologia PdG

(Texto revisto e adaptado pela Direcção Clínica PdG)

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